domingo, 24 de fevereiro de 2019

Hay que endurecer... pero y la ternura?


O pinheiro endurecido pelo gelo.


Mil teorias e um bom par de dados empíricos dão conta do efeito do facebook em nossas vidas. É espião, controla o que a gente vê de acontecimento, de quem temos notícias, filtra informações e vaza outras. Mau, muito mau.

Tenho muitos conhecidos e amigos que estão fora desta rede social. E eu pensei inúmeras vezes em sair também. Mas viver nessa ilha isolada dos meus e de tantos centros de conhecimento me faz ainda perseverar na comunidade virtual, se é que pode-se chamar de comunidade... Eu sempre quis ser ponte, e facebook me ajuda a colocar em contato um monte de gente e de saber dessas pessoas, mandando apoio, "estando ali", mesmo estando tão longe.

Mas o facebook com os seus algoritmos acabou abrindo uma Caixa de Pandora tão dolorida nos últimos anos que preciso digerir escrevendo. Na verdade, essa plataforma virou um espelho de quem eu me tornei. E, ultimamente, principalmente com o mecanismo das memórias, tive que dar de cara com um ser que foi se transformando nos anos e... endurecendo.

Era uma das minhas características mais caras resistir bravamente a qualquer tropeço da vida que me fizesse agir como velha. Velha de pensamento, descrente do mundo, amarga, fria, dura. Desde ainda adolescente eu que prometia que ia ser mais leve, nunca passei por teste mais doloroso a essa minha promessa do que nos últimos anos.

Lembro de uma vez que meu primo brigou com o pai dele, meu tio, e eu recém-casada, no alto dos meus 17 anos, disse que ele poderia ficar na minha casa. Meu marido na época surtou. Saiu esbravejando pelos cômodos como irresponsável eu fui e bla bla bla. Aos 18 anos, ele já tinha sido mordido pela seriedade adulta. E eu comemorava que tinha a liberdade dos adultos e poderia agir como eu bem quisesse, principalmente contra as regras que diziam que tínhamos que ser sisudos e responsáveis, e chatos. Eu não queria endurecer. Era isso. A vida tinha que ser dançada, é tão linda! Criei o filho de maneira responsável mas não fui rígida. Fui a professora que se vestia de tênis e jeans porque era um jeito de me aproximar dos alunos. Dancei. E tentei, dentro da minha cobrança de ser sempre melhor, ser leve também.

Até 2014. E o facebook está aí para provar e me jogar na cara com as tais memórias. Como eu era fofa, antes! Quase infantil com meus comentários dividindo coisas leves e sem importância do dia a dia.
A partir de 2014 eu comecei a endurecer. Eu ainda estou tentando buscar exatamente quando foi que isso aconteceu, mas 2014, a eleição da Dilma e todo o ranço machista, mal-informado, classista, invejoso e de dor-de cotovelo foi me separando de um monte de gente que eu considerava amiga. Eu tenho a sensação que uma venda estava caindo dos meus olhos. Ou o pouco de tolerância que eu tinha se esvaiu.

Lembro que a primeira vez que desfiz uma amizade no facebook e por consequência na vida real, foi porque não dava para relativizar mais certos comportamentos, escolhas e crenças. Alguém que acredita que o mais importante para uma presidenta era falar bonito e que as meninas precisam de uma escola de princesa não tinha condições de passar desapaercebido na minha vida. Eu não poderia mais em festas e outros encontros acenar e sorrir. Não dá. Não consigo. Ao mesmo tempo que sempre fui a questionadora da paróquia perguntando o motivo de tudo ser assim em vez só de ir fazendo o que os outros fazem, era impossível para mim fingir que estava tudo bem quando não estava não.
E a coisa só piorou com o tempo. Eu piorei. Piorei e muito. Dilma foi impeachmada com discursos que davam ânsia de vômitos feitos por gente mais suja do que pau de galinheiro.
Era como se eu tivesse tomado a pílula vermelha. E não dava mais para regurgitar, cuspir. Certas questões eram incompatíveis.

Afastei-me dos colegas do grupo de jovens. Há tempos não via mais nenhum vínculo nessas vidas adultizadas e ensaiadas de palco. Essas em que a gente medica quem não se encaixa. A mulher não se encaixa - está doente. A filha não se encaixa, toma remedinho para se adaptar.
Cotninuei com os párias. E lá se foi a leveza. Num tem mais.
Veio eleições de novo ano passado e eu dirigi furiosamente para votar a 5 horas da minha casa. Discuti fervorosamente com meio mundo. E acabei com mais um punhado de amizades.

As amizades eram com um tipo específico de gente que realmente não me faz a mínima falta. Gente que não entende que uma mulher morre a cada dia em casa pelas mãos do seu parceiro, que nesse momento uma menina ou um menino, menor, está sendo estuprado por um familiar. Gente que facilmente esquece o que um negro tem que passar a vida toda para continuar vivo. Que aquela gorda sofre horrivelmente toda a vez que alguém faz uma piada. Que o menino com Down tem todo o direito de qualquer outro na escola e na vida, que os animais são nossa responsabilidade e que dependem de nós, que o rio não vai se regenerar amanhã depois daquele lamaçal químico. Gente que acha que tem o direito de curar quem não precisa de cura alguma, só precisa ter a liberdade de viver como todo mundo. Gente que entende ciência como opinião e que desdenha o conhecimento mas espalha piadas de mal gosto e crueis sem se colocar no lugar daquele ser humano. Gente que alugou caminhão de som para tripudiar do presidente preso. Gente que comemorou a morte de outros.

Minha vida é muito boa, muito confortável e eu não tenho direito nenhum de reclamar. Consigo ainda ver poesia na caminhada que faço com a cã todos os dias. Mas, ao mesmo tempo, sinto em mim cada uma dessas vidas sofridas como se de mim fosse feito um vudu que sente o que os outros sentem. Já sabia que não se é feliz sozinho. Que nossa energia não é separada da do resto do mundo e que boa parte da depressão que tantos sofrem tem a ver com uma Terra que pede ajuda. Mas a cegueira de tantos machuca muito, irrita e endurece. E eu endureci. Não me fazem falta alguma essas pessoas que destilaram e continuam destilando ódio. É como se de repente um grupo tivesse tomado a pílula azul e outro grupo tomou a vermelha e essa galera não se mistura mais. E não sou só eu. Quem me dera que eu fosse a única a endurecer assim. Tive muitas amigas saindo do facebook porque não suportaram gente desejando o mal aos seus. De graça. Só pela posição desses de luta por um ideal. Teve gente que se desligou do meu perfil porque me posicionei, porque fui política demais. Tem gente destilando ódio de graça. Tem exilados do meu país por causa desse ódio, porque tentaram brigar por outros.

E foi o facebook que mostrou que, aos poucos, eu deixei de ter leveza. Virei gente grande. Como se tivesse visto a guerra. E endureci. Tanto que não consigo assistir determinados programas na TV, não pago para ver filme de abusador, não dou ibope para produções machistas e não consigo ver produções que mostram a que ponto ainda podemos chegar se tudo for indo por esse lado.

Eu vejo também a resistência e ela é linda. Mas vejo também que ainda está recuperando o fôlego, se reerguendo de um jeito desorganizado, se questionando o tempo todo.

Há duas formas de se explicar isso tudo que estamos passando e que me dão um certo alento. A primeira veio do marido, que vendo o meu sofrimento, tentou apontar a explicação do zodíaco, que reza que estamos chegando na Era de Aquário que determina mais comunicação rápida, uma visão de futuro e a negação de autoritarismos e fronteiras. A de Peixes, passada, determinava disputas pelo poder e a guerra como instrumento de conquista, além do atrito entre a fé e a ciência. Alguns astrólogos fazem as contas de que a Era de Aquário vai ser efetiva a partir do ano de 2150, mas mesmo astrólogos não ousam dar uma data certa. Como as Eras mudam a cada 2 mil cento e poucos anos, estamos no finalzinho de uma e começo de outra e é por isso que todo o tipo de dominação  - olha o fascismo aí, gente - está aparecendo com toda a força. É como se fosse o último respiro desse jeito de ver o mundo. É claro que se tem que acreditar ou não, mas parece que tem uma certa lógica. Só ver a dúvida à ciência, a volta da religião no poder e a divisão tão extrema das nossas diferenças. Se essa for a razão para tudo isso e logo vamos enxergar a besteira que estamos fazendo, até consigo respirar.
Outra explicação é de que se combate o fascismo só com ele no poder. Enquanto ele é uma ideia é invencível. Essa foi uma razão espalhada por conhecidos de gente que o vivenciou na Itália, mas não consegui checar a fonte original.

Em tempos como esses, leveza é um luxo.
Não tenho conseguido partilhar as coisas lindas, por mais que saiba que é preciso, porque fico pensando que enquanto eu estou aqui tirando foto da árvore que tem um formato diferente, tem gente passando fome, tem gente sendo injustiçada e pior, tem gente em gabinetes fechados planejando aprovar reformas que vão matar muitos de fome e de desespero.

Muitas vezes eu desejei a alienação, como aqueles que sempre repetem que a ignorância é uma benção nessas horas.
Mas não tem jeito.
Endureci.
Mas preciso procurar a ternura. E ela é urgente.


Para saber mais: http://vanessatuleski.com.br/v2/era-de-aquario/
https://twitter.com/mdenser/status/1057310399610150913

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Gracias por la vida! Agradecimentos de 2019

Janeiro de 2019

Aeeee!!!!! Aeeee!!! Estou conseguindo ao final do mës fazer meus agradecimentos. Aeeee!!! O que significa que nunca se deve desistir nessa vida. Aliás essa é uma marca que dizem ser dos brasileiros, mas acho que é de um tipo de g ente e não de nacionlidade.
Enfim, os dois últimos anos, eu acabei fazendo atrasada os agradecimentos, mas nesse vou firme tentar fechar os meses. E aí eu só atualizo o post com os novos meses que virão.
Janeiro foi um mês calmo e ao mesmo tempo de várias coisas acontecendo. Os três empregos que eu tenho aqui me fizeram trabalhar. Limpei quartos no Inn, fui à loja e dobrei roupas pra Fran. Nada para se reclamar. Arranjei um tutor de inglês em Elsworth, fiz meu evento de dança - um monte de gente prometeu ir e poucas foram - comecei aulas de dança na artwaves e na high schoool - Greg está realmente sentindo-se torturado - e viajamos. Conheci mais um estado - Connecticut. E tudo por causa da arte do Greg. Ficamos hospedados em Litchfield no Tollgate Inn. Dirigi de Massachussets para lá e foi a noite mais tensa até hoje com neve. No meio de uma estrada que eu não conhecia tive que dirigir em um squail que é uma curta tempestade de neve. A parte boa é que tinhamos lareira no quarto e nos divertimos tentando fazer fogo. Aí Greg fez uma fala no Museu Mattatuck em Waterbury, no outro dia visitamos uam galeria em Torrington e viajamos para Portland, onde ele teve um opening numa mostra que fala sobre os trabalhadores do Maine. O legal é que usaram a obra dele para fazer a promoção do evento. Então, mês empolgante.
Mattatuck museum, with Progresso.

Opening com família.

O convite pra mostra.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

2018 - Grazie Mille!

Janeiro de 2018

Mês de aplicar para vagas de trabalho quase que diariamente. Mas teve outras coisas legais. Fomos para Topsham ajudar na limpeza do porão da casa do Scott e da Kathleen. No Reel Pizza assistimos Coco - muito fofo!
Voluntariei na WERU uma vez por semana.
Preparei as ideias para os papers do Alaic e do IAMCR
Assistimos o documentário I, Claude Monet. Quase dormi, mas interessante.
E pela primeira vez eu cozinhei para tirarem fotos!!! Uhuuuuu!!! A experiência de estar na produção que seja de fotos para marketing do Inn foi revigorante. Fazia tempo que eu não me envolvia com algo que beirava tanto a minha profissão. Gratíssima!!
Parece fogo, mas é só o quintal depois de acordar cedo no inverno.


Fevereiro de 2018
Fevereiro foi mês de aplicar agressivamente para várias posições. Delas saíriam duas entrevistas. Mas tb, num frio impossível de se imaginar, foi mês de levar flores para Iemanjá na Bar. Foi mês também de trabalhar para o Inn mudando os quartos, planejando os lençóis e outras pequenas coisas para a próxima temporada. Foimos para o baile dos Hay Seeders e nos divertimos horrores. Visitamos a prima Laurie para fuçar os antepassados da família.
Foi neste mês que esquiei pela primeira vez no gelo que se formou do alagamento no Jesup Path. Filho veio para cá no final do mês e foi tudo lindo também. Finalizamos viajando para o Brasil. Grata!!!!
Iemanjá veio buscar. Obrigada mãe dos mares.



Março de 2018
Mês de rever as origens e receber muito carinho. Muuuito feliz pelo encontro com os familiares, pela acupuntura, pela galera do flamenco, pela semana restauradora na praia em Garopaba, pelo encontro com os tios Bonas, pela festa de aniversário do pijama da Pipe, pelo final de semana com as minhas amigas de sempre, pela reunião com o grupo de São Paulo, o COMUNI, pela nova tatuagem e pela Cris que a fez, pelo jantar Strange Things na Lu, pelo dia com a amiga Gi de tantos anos e por ter aceitado que era hora de usar um óculos multifocal, agradeço pelos médicos e dentistas que visitei e cuidaram de mim,  pelas documentações resolvidas, pelos sobrinhos, pela afilhada deliciosa e por ter podido ser testemunha do corte de cabelo novo dela, pela saída com o afilhado, pelo almoço com De e Ta, pelo reencontro com o marido 2, pela saída com os professores, por ter descoberto que o que era não é mais. Gracias, siempre!!
Uma lembrança de quem nos cuida.


Abril de 2018
Terminei a pesquisa da rádio WERU. Costurei as cortinas para os tanques de água de casa. Fiz cachecois para enviar para Southwest Harbor. Mês de spring cleaning. Uma equipe de malucas foi contratada e eu sou muito grata por não ter perdido a minha paciência. Até pq mares calmos não fazem bons marinheiros, não é? Fomos tb na feira de vendors para o Inn.
As florzinhas voltam aos poucos. A briga entre inverno e primavera é linda. E eu tenho olhos para acompanhar! Grazie!
As primeiras sempre.

Maio de 2018
Opening no Inn. Tudo ajeitado para começar a temporada. Fui a Boston para registrar meu Título de Eleitor. Eles retiveram o meu de papel que me acompanhou a vida toda.  Greg foi para a residência em Acton e eu fiquei meio que fazendo de tudo. Assim Pandora era caminhada bem cedo e bem tarde. Foi alimentada pela Kim e Janie (thanks!) pq eu estava trabalhando na Fair Trade Winds 4 dias por semana.
Eu fiz TRX e comecei a fazer yoga. E dentro de uma crise de identidade sobre o que fazer na minha vida futura, descobri uma consultora de escritores como minha companheira de yoga.
Acabei riscando as minhas lentes do novo óculos. Uma tristeza. Pedi pro pessoal do Brasil fazer outras e me enviar pelo marido 2 que viria vistar em julho/agosto. Enfim, eu sou agradecida pq fizeram outras lentes sem custo e foram gentis enviado-as para o Paulo.
Encontrei um carrapato grudado no meu joelho qdo fui tomar banho e resolvi ir ao médico pra checar. Decidi não tomar nada sem que os sintomas da Lime Desease aparecesse. De novo, graças que acabou não sendo mais do que a picada do bichinho mesmo. Danke!

Uma das fantásticas luas cheias que eue e Pandora testemunhamos nas nossas caminhadas.


Junho de 2018
Junho foi mês de uma trabalheira insana. Como se não bastassem os dois empregos, a casa da Fran (um novo trabalho em casa de família) e o congresso no Oregon no final do mês, a galera de Southwest Harbor tinha vendido todos os cachecóis que eu fiz. Falei pro filho no telefone sobre isso e ele disse que me imaginou fazendo cachecóis no tear durante os vôos. "Aproveitar o tempo, né?" Falando em vôos, na ida para Eugene, no Oregon, teve tempestade e um atraso atrás do outro feito dominó. O que me fez passar a noite toda no aeroporto de Denver e dormir no chão pela primeira vez. Me ajeitei num cantinho, as 3 da manhã e a mulher que estava ao meu lado, Jill, fez as vezes de anjo. Me levou para a sala VIP da United, comemos e ela ainda deu aula de inglês (fonética), eqto esperávamos o vôo. Cheguei mais de 24 hrs atrasada para abraçar meus queridos amigos que estavam na abertura. O congresso foi uma experiência e tanto. Conheci e fiz contato com um monte de gente legal, que depois foi mais legal ainda e me ajudou a fazer contatos de publicação.
Mas o mais lindo foi ter fechado o mês com o show do U2 e marido e filho juntos comigo em New York. Definitivamente, esse prêmio que recebi valeu pelo mês e o ano todo. Profundamente agradecida a essa força que me cuida. New York tb me colocou na barriga da besta, como dizem. Vistitei a Fox News num dos programas mais conservadores deles. Di conseguiu com um fornecedor. No meio da gravação ele olha pra mim e diz: "desculpaaaaa"com cara de quem sabia que eu podia quebrar tudo ali. Não quebrei. Pra que? Sou feliz. hahahaaha
Ah, assisti o Book Club com o J. Hilário.
A felicidade da criança. :)


Julho de 2018

Fomos assistir a Mary da Kim na peça Pygmalion. Ela fez três  personagens diferentes e é impressionante como ela é talentosa!!! Eu estou pra vê-la em Hollywood. Sério!
Marido 2 veio me visitar e foi o melhor presente que tive esse mês. É a coisa mais fabulosa ter alguém que me acompanhou por tanto tempo, aqui na minha nova casa. Daqui fomos para Costa Rica - no meio dormimos em Orlando - no congresso da Alaic onde encontrei tantos amigos fantásticos e as minhas queridas orientadoras entre outros parceiros amados do GT8. O tempo que partilhei com os colegas Adri e Paulo matando saudades da nossa parceria foi também impagável. Muito agradecida!
Fachada do Teatro Nacional de San José, na Costa Rica. Ah, o meu amor por coisas velhas...

Agosto de 2018
Mês difícil no trabalho no Inn pela inconsistência de quem se propôs a trabalhar aqui. Muita gente vindo e indo e eu e Igor sempre tendo que resolver o que os outros foram deixando. Muito calor, a ponto de Pandora pedir para parar nas caminhadas e ficar sentada mesmo. Trabalho na loja e na Fran tb bem frequente. Enfim, mês de hang in there. Eu sou muito agradecida por ter podido continuar com o TRX e Yoga para não ficar doente. Segurei as pontas e o mês passou. Grata!
A beleza que me rodeia. Não dá para ignorar.


Setembro de 2018
Mës em que a inclinação do sol deixa tudo mais dourado, mais lindo, mais vivo. Tudo é tão amarelo!
Nesse mês saimos fazer hike e vimos numa mesma caminhada um sapinho verde que Pandora ficou horas observando, uma coruja e um beaver. Lidei também com as flores da frente da casa e acabei resgatando uma que parecia mato e ficou linda no vaso. Começamos a ir na Beech hill Farm buscar as verduras, a congelar e fazer molhos com tomates frescos, orgânicos.
Mês que a Pandora fez o juramento para ser uma dog ranger. Muuuito fofo. Agora ela tem uma plaquinha de ranger e o nome pendurado na parede do quiosque do parque.
Comprei uma malona imensa - que chama trunk - daqueles navios de vapor. Uma estória e tanto. No antiquario era 300 dolares, achei por 75 dolres na lista do Facebook e, no fim das contas, era da prima do Greg. Acabei trancando o trunk quando limpava - ela não tinha a chave - e a Kim me emprestou a jarra de chaves que ela tinha em casa para eu tentar. Mais de 1454 chaves num vidro. Quatro delas funcionaram.
Super importante foi a pesquisa que Paola me convidou para fazer com ela. Foi realmente muito trabalhoso mas compensador. Gracias!
O trunck e as chaves.


Outubro de 2018
Outubro foi mês de fechamento do Inn. Mas eu não estive no fechamento porque fui votar em Boston. Greg também não estava porque foi para a segunda parte da residência dele. Em Outubro eu dirigi duas vezes para Boston. Uma com uma tempestade que se chama de northeastern. Not nice. Mas fiquei feliz de ter conseguido ir. Mesmo meu voto não tendo valido muito, já que um horrível presidente foi eleito, eu fiz a minha parte. E sou muito grata por ter feito a minha parte e por ter podido fazer. Nesse mês Leon, o amigo do doutorado, veio e me deu uma outra chacoalhada  para começar a escrever de uma vez o livro sobre essa experiência aqui. E a coincidência - que é quando Deus quer se manter anônimo - é que o irmão dele é doutor em literatura e vai me dar uma super mão sendo meu consultor de escrita. Parece que as coisas estão se encaixando e se encaminhando. Vejamos o que a vida tem preparado, não é? Fizemos a confraternização do pessoal do Inn - final da temporada e tivemos lagosta. Agradeço ao J e ao Igor pela parceria tb e ajuda tanto com os hóspedes quanto com o Inn. Agradecida sempre!
Yep, a lua do outono.



Novembro de 2018
Um dos meus artigos escritos em inglês finalmente foi aceito para publicação. Novembro foi mês de corrigir, mil idas e voltas. Foi mês também de ir ver outra exibição do marido e mais uma vez dirigir ida e volta para Boston. Visitamos, dessa vez, Concord e Ayer. Concord é berço de vários escritores famosos dos EUA. Ficamos na casa da Terri. Sou muito agradecida. Mês de continuar com a pesquisa da Paola também e entregar de uma vez. Cortei meu cabelo com a Dani e a gente começou a pensar em um evento de dança pra chacoalhar a comunidade por aqui. Igor me ajudou no Pijama Sale.
Fiz um workshop de deepcandle com a professora de yoga. - Muito bom!
Fiz limpeza na casa da Fran  - a que ela aluga - para o thanksgiving.
Tempo de thankgiving e ... nevou. Muito e cedo demais. A gente ia começar a reclamar, mas aí choveu e esquentou de novo. E esfriou e ficou tudo seco. Enfim, Deus tira e provê.
Grata sempre.
Vista da casa da Fran antes do Thanksgiving. Pra ver o quanto nevou.


Dezembro de 2018
Dois grandes ápices de dezembro foi a semana que passei em Salem para dar início ao livro. Consegui cumprir minha cota de 50 páginas e foi uma excelente lição de disciplina.
Visitei a casa dos Seven Gables e fiquei sabendo um pouco mais sobre Nathaniel Hawthorne e fiz o tour na casa de Louise May Alcott em Concord, o que foi fascinante pq atores fizeram o papel de cada um da família e contaram um pouco a história dela.
Greg me ajudou na Midnight Madness.
A árvore de natal foi de galhos dessa vez, como minha madrinha sempre fazia. Chamaram de árvore do Charlie Brown.
Participamos, eu e Greg da feira de artesanato: ele com as aquarelas e eu com os cachecois.
E o outro grande ponto foi o Natal em família feito no Inn. Teve outro gosto, meio mágico.
O jantar de último dia do ano foi com o Beto e a Nancy. Excelente companhia.
Aí está um ano intenso, para ser agradecido e aplaudido muito. Grazie!!!
a árvore do Charlei Brown/de galhos



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O dia mais escuro do ano





As quatro da tarde o sol já tinha se posto. São oito e meia agora e eu sinto que já deveria estar dormindo. Quem há alguns meses acordava as cinco da manhã e produzia até as dez da noite sem muito problema, dorme até as oito agora sem dificuldade.
Essa vida sazonal ainda me causa estranhamento. Não é só sazonal das estações, mas do trabalho, da cidade, dos ritmos. Parece que aqui as mudanças entre inverno e verão são mais radicais. Estar mais perto da natureza com a força da sua transformação reforça isso tudo. E não adianta brigar contra. As folhas caem, a energia diminui, cansa-se mais fácil. E a dor de cabeça anda mais forte quando prevê tempestades de neve. Antes eram chuvas. De chuvitiba. Quando as nuvens negras se assomavam no céu da capital paranaense era batata: um peso na nuca e dor na fronte. Chovia e parecia que aquele elefante tinha saído de cima da cabeça para sempre.
Aqui o aviso no horizonte nem sempre é tão claro. Porque a massa branca vem de vários lados e nem sempre ela traz nuvens carregadas. E o alívio também não é instantâneo, vai embora de leve.
Mas é aqui que eu consigo reconectar. No início foi estranho obedecer à natureza. Quem faz isso hoje? A comunidade aqui faz. Mais do que nas grandes cidades.
Não como faziam os nativos, mas mais próximo do que as grandes cidades  - que já se perderam. É tempo de contar estórias, de respeitar os espíritos que caminham no escuro, de fazer reverência à mãe terra que está grávida de vida. Ela precisa descansar e gestar. Devemos fazer o mesmo. Planejar, gestar, ruminar.
O recolhimento começou em outubro. O vento frio, a mudança nas cores para o predominante dourado avisavam do cinza-branco-breu que viria.Cinza das árvores guardando energia sem folha alguma, só esqueletos ainda tentando alcançar o céu. Branco da neve, que vem com pequenos flocos de inofensivos gelinhos e acaba cobrindo tudo, escondendo tudo, suplantando tudo. E o breu das quatro da tarde, quando deveria estar chegando às nove. Esse que pede recolhimento em casa, mas mais importante, na gente, dentro do peito.
Amanhã vai ser o dia mais escuro do ano. Mais tempo com o breu. Solstício de inverno por aqui. Mas será mágico por que logo no dia seguinte teremos lua cheia que vem para mostrar que nem o mais longo dos breus consegue apagar a luz. Nem que seja só o reflexo dela. E, aos poucos, a luz vai voltar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Ode aos meus padrinhos para que me ajudem a amadrinhar

Eu tenho quatro afilhados. Exato. Quatro casais foram loucos o suficiente para prometer em juízo religioso que se eles faltarem eu serei umas das pessoas responsáveis por encaminhá-los na vida.
E a responsabilidade pesa muito. Porque você olha para a sua vida e nota que foi um super lance de sorte que seu filho se encaminhou de um jeito mais ou menos decente. Está andando com as próprias pernas entre os problemas da vida, e você olha e respira fundo: ufa! Consegui não esculhambar com a vida de alguém.

Mas aí vem os sobrinhos. E, antes deles os afilhados. Meu, como faz?
Pois bem, como todo ser humano faz, a gente repete o ciclo, vai plantando exemplo do que já viu. A gente tenta ser aquilo que a gente diria para eles serem. Não sem errar muito. E não sem falar muito palavrão em cada erro. E depois rezar fervorosamente para que aquela Mãe Deusa que fez tudo o que há entre o céu e a terra coloque o dedão no meio da vida deles e os vá encaminhando já que você é pequena demais, falível demais. Pede ajuda, né?

Na verdade, eu olho muito para meus padrinhos, tanto de batismo quanto de crisma. Tive, sim, os dois sacramentos. Um por herança, e a escolha dos padrinhos não poderia ter sido melhor. E a outra por escolha, na qual eu mesma escolhi minha madrinha. Que hoje já é fada-madrinha. Está voando com uma vassoura mágica em algum lugar de outra dimensão. Porque ela nunca foi só fada-madrinha. Foi muito bruxa, das que tinha ervas de todo o jeito para curar desde unha encravada até oração forte para expulsar vizinho chato do prédio. Sim, ela morava no apartamento de cima do meu e foi muito próxima do meu crescimento e das crises imensas pelas quais passei. Tive muita raiva dela também, várias vezes, principalmente na adolescência porque ela agia como a minha mãe. Hoje, (ah, sempre assim), hoje, eu a entendo. Entendo que houve muitas situações em que ela fechou os olhos só para não brigar com a pimenta aqui. Em outras que se posicionou mesmo que isso me doesse ou a ela.
Já meus padrinhos de batismo sempre foram refúgio, um colo imenso. Além de ferrenhos ativistas. Lembro que fugi de casa umas duas vezes - uma delas casada - e foi para lá que fui. O que sempre completou essa sensação de segurança é que a minha melhor amiga é filha deles. Então posso dizer que essa coisa de querer justiça, de não entender as diferenças sociais tão agudas que temos e me sentir envolvida sempre, tem muito da culpa deles. Sempre estiveram envoltos com a comunidade, ajudando do jeito que podiam todo mundo.

E é nesse movimento de olhar pelos meus afilhados, que fico pensando que tipo de madrinha eles merecem. Eu sou muito os meus padrinhos. Mais do que sou meus pais, eu diria. Então fico pensando o que posso plantar para meus afilhados, mesmo dessa distância enorme.
Eu preciso dizer a eles que eles possuem colo certeiro, sempre que precisarem. E ando tentando jeitos diferentes de mostrar isso para eles. Desde que seja rezando muito para se encaminharem, até mandando cartinhas.
Sei que estão crescendo com valores decentes. Sei que cada um tem personalidades que estão aflorando independente do que os pais façam. Porque eles são eles. E cada um tem um jeitinho de ser que precisa ser respeitado. Um, o mais velho de todos, ainda se busca como profissional. Tenho tido conversas via facebook para ajudar a impulsionar o vôo, mas sei que preciso respeitar o livre-arbítrio e o tempo. Mas digo que ele consegue, se assim quiser. O outro deu show de candura na última vez que nos vimos pessoalmente e abrilhantou uma tarde cansativa quando resolveu me contatar pelo telefone do pai para comentar o jogo de futebol entre Brasil e EUA. Sua personalidade não é das mais fáceis, mas se eu pudesse escolher, manteria exatamente assim, mesmo fazendo a mãe dele louca às vezes.
A sobrinha afilhada, por notícias que recebi, ganhou o prêmio de melhor aluna da classe e deixou claro que gosta e quer ganhar flores. Tem sabido se posicionar brilhantemente no seu jeito de ser. A que está mais distante de mim, na longínqua Nova Zelândia, sinto como a mais próxima pelo esforço da mãe em contar dos seus feitos e fazer os face-time. Diz que a filha tem uma tendência em sempre cuidar dos coleguinhas que mais precisam e um temperamento não dos mais pacíficos. Diz que ela tem muito da madrinha... Pelo jeito, apadrinhamentos, no sentido bom da palavra, devem ser mesmo hereditários. Se assim forem, tenho a obrigação moral de ser bom exemplo. Ou pelo menos um exemplo decente, que sobreviva sem pisar os outros.
Assim, aos meus padrinhos eu envio meu agradecimento eterno pelo amor a mim destinado e pelo fabuloso exemplo que são.
Para a fada-bruxa-madrinha peço para me acompanhar. Como tem feito. Aliás, sem ter muita consciência, esse ano fiz uma "árvore" de Natal igual a que ela fazia. Irritada com tanta árvore sendo cortada para servir de decoração por um mês somente, e pelas últimas duas plantadas não terem sobrevivido ao frio do Maine, decidi ressignificar um galho que serviu de morada e sombra e que merecia ser árvore de Natal. Minha mãe, vendo minha decisão comentou: - igual sua madrinha fazia. Ela sempre enfeitava galhos de Natal.
árvore galho de Natal. Herança da madrinha.
Pois é, amadrinhamentos podem ser hereditários. God save my godchildren, then...





quinta-feira, 22 de novembro de 2018

2017 - um ano para agradecer

-17C lá fora. Comemorando aqui a Ação de Graças norte americana, no ano de 2018. E lembro que esqueci de fazer meus registros de agradecimento do ano passado. Uma vergonha. Vergonha pq tenho escrito tão pouco. Vergonha porque tenho agradecido tão pouco. Mas olhando as fotos, que são meu footprint, eu posso dizer que a vida tem sido intensa. Muito intensa. Só a agradecer mesmo. Aqui, coloquei a difícil tarefa de um foto por mês para ilustrar a lista de agradecimentos.

Janeiro de 2017
Fiquei sozinha no Inn. Eu e Pandora. O mês todo. Entendi que não posso ser Inkeeper pq num dia de possível falta de luz, eu fiquei a noite inteira ligando o abajur para saber se os hóspedes  do outros prédio ficariam com frio. Estranho, a árvore de natal caiu sozinha. Espero que tenha sido só o peso mesmo. Eu comecei a fazer aula de writing english em um castelo. Melhor impossível. A professora é a coisa mais fofa de todo o sempre. Uma idealista empolgada com a vida. Pandora mostrou que AMAAAAAA a neve. Fui ao cinema ver Moonlight sozinha para a aula de escrita.  E o mais emocionante de tudo foi ter meu filho aqui, indo pra aula comigo. Ninguém vai conseguir repetir o que senti. Ele veio rapidinho para visitar, teríamos aula especial com café da manhã no sábado então levei-o junto. Meus "vizinhos"Jodie e Gary são fabulosos (eles vem de Maryland todo inverno para passar um mês ou dois por aqui), meus sogros também vieram visitar. Fui tb no aniversário surpresa de Jefferson e Michel. Mas no final Pandora foi a minha companheirinha o tempo todo. Greg estava em Lisboa sendo feliz tb, na primeira residência artística dele. Adoro. E agradicida por dimais!
Dois mores.


Fevereiro de 2017
Mês de fazer cortina para o quarto - para fechar o closet e a prateleira de roupas. De lixar os móveis do quarto tb. Fomos na dança para ajudar a SPCA, divertido. Mas a vizinha ficou reclamando do latido da Pandora. Sou grata por não a ter xingado. Continuei fazendo aula de writing no COA. AMANDO! Jefferson e Michel vieram jantar aqui. Tivemos uma tempestade de neve atrás da outra. Neve até a cintura. Fomos em evento para fundos para o skate park no Chocolate. Fomos no jogo de basquete da High School aqui. Comecei a escrever um livro pro meu filho. Fui no evento posterior à Women's March. Não sei se foi a pressão atmoférica ou a tempestade, mas fiquei bem tonta e esquisita. Grata, por ter passado por tudo isso e me divertido como ninguém!
Pra entender o que foram as tempestades de neve de fevereiro...


Março de 2017
Finalmente a mudança chegou! Deus meu, que enrolação e demora. Passamos metade do mês pendurando os quadros do Greg pela casa. Meus livros estão aqui! Minha escrivaninha veio! Final da aula de writing do COA e fiz meu primeiro artigo científico em inglês sobre a Women's March. Nas limpações do Inn coloquei algumas coisas que estavam paradas para vender ou doar. Comecei a conversar com o Hakim, um menino da COA que quer aprender português para ir estudar o Santo Daime no Acre. Assisti no cinema: I'm not a negro. E, em casa, Requiém para um sonho. Achamos uma caixa super pesada no Inn que a gente quase morreu de curosidade para saber o que era. Fomos a Brewer para abrir: um microscópio. Ainda a neve cobre tudo. Grata!
a neve, o mar e o céu.



Abril de 2017
Mês de aniversário. Chorei o dia todo com as coincidências da vida. Grata sempre. Fizemos caminhada, Greg fez exposição e as flores começaram a brotar tudo de novo. As limpezas no Inn começaram também com Christina e Maria e dei geral no basement e em outros lugares. Inclusive na máquina de costura da vó e nas caixas de botões. Preciosidades. A mãe do Greg me mandou flores  - exatamente as que dei quando saí do meu apartamento em Curitiba. Tive bolo tb. Grata, sempre!
O motivo da minha choradeira de aniversário... What goes around, comes around. Always.


Maio de 2017
Abertura do Inn. Comecei a fazer café da manhã, que momento mágico das 6 as 8 da manhã! As cores começam a voltar e a exuberância da natureza chega com toda a sua força. Revisei os dois livros que estava publicando no Brasil sobre comunicação. Plantei as verduras na nossa hortinha. Eu tenho uma hortinha!!!! Fui levar meu celular para arrumar pq eu consegui derrubar e quebrar... Pessoal de Bangor é muito querido. Ah, e estou indo nadar no YMCA.  Encontrei uma médica para mim. Ela era a mesma da vó do Greg. Se isso não é um sinal, não sei o que pode ser. Grata por estar e ser!
Produção para o café da manhã.

Junho de 2017
O verão aqui foi exuberante como sempre. Flores para todos os lados e demos uma saída para visitar Winter Harbor. Uma igreja que é só colo eu vi lá. Um silêncio delicioso e a oração para os que tiram férias. Fui também a Bangor levar as chinesas para comrpar roupas e ajeitar o Social Security. Fizemos hikings. E jantamos lagosta no reading room com um por do sol estonteante.

A igreja-colo numa encruzilhada de Winter Harbor.



Julho de 2017
Tive filho visitando no feriado de independência. Então fizemos a Door Mountain - Pandora pediu colo - lobster com as chinesas housekeepers e sunrise na Cadillac Mountain. Memorável.
A outra lembrança fantástica foi visitar filho colombiano. Primeira vez em Bogotá, depois em Cartagena. Pra variar tive problemas com o avião e cheguei um dia mais tarde, mas tudo valeu a pena. Visite o Cerro de Montserrat e tive uma vista da cidade. depois Cartagena, a cidade murada, para o IAMCR. Também fantásticos contatos com gente da antiga e gente nova do mundo da pesquisa. De volta a Bogotá, mais passeios no Museo do Oro e na Galeria de Botero com seu mundo gordo.
o sol nascendo na Cadillac Mountain



Agosto de 2017
Fomos ao teatro aplaudir a Mary da Kim com The Bus Stop. Que beleza de interpretação! Não vejo a hora de assisti-la em algum filme de Hollywood. Fomos tb, com a sogra, ao show de Kenny Wayne Sheperd. Eu nunca tinha ouvido falar mas foi muito bom. A natureza continuou um desbunde e fizemos várias caminhadas fantásticas com aqueles cenários característicos. A sogra veio visitar e sempre faz as coisas mais divertidas do que são. A neblina e a umidade do ar foi característica de diversos dias.
Parece navio fantasma, mas é mais um dos shows da ilha.



Setembro de 2017
Ssetembro é sempre um mês estonteante. O trabalho continuou duro e frequente, no Inn e na loja It's a Me Thing, mas não dá para reclamar .Os dias estão um mais lindo que o outro que escolher a foto para celebrar o mês foi uma dificuldade sem tamanho.
Fizemos caminhada no Parque, uma delas na Day Mountain. Participamos do Maine International Filme Festival by-the-sea que acontece no Reel Pizza e eu assisti com Greg o húngaro It's not the time of my life e Abudant Acreage sozinha. Foi um mês de sentir-se viva.

Vista da Day Mountain


Outubro de 2017
Milhares de agradecimentos só para variar. Recebi cartinha da Talita com amostras do novo negócio: sabonetes perfumadíssimos. Recebi cartinha do Pedro Pichelli para um projeto dos escoteiros. Chiiique.
Para fechar a temporada jantamos no Burning Tree. Minha lista dos restaurantes de Bar Harbor está quase completa. Ah, e fomos no Padd's com os german lads.
Recebemos a visita ilustre do Chris, o meetable friend que trouxe Kristen Jakobs e seu marido. Escalamos e levamos o Hakim conosco. Fizemos haking e subimos a Cadillac Mountain. Fizemos a colheita das mini-cenouras que plantamos em maio... Ano que vem vai ser mais cedo.
Ganhei doces de Halloween da sogra que nunca esquece de comemorar data alguma. Greg montou a exibição na biblioteca de Southwest Harbor. É, busy month.
Tinha muita foto linda e amorosa em outubro. Mas essa foi escolhida porque foi o mais estonteante e avermelhado por do sol que vi no ano. E olha que é um mais lindo que outro.



Novembro de 2017
Abertura da exposição do Greg em Southwest Harbor. Coisa fina. E aí a gente embarca rumo ao Panamá. Loucura. A gente chega as 2 da manhã e já sai as 5 da manhã pra uma viagem maluca em meio a todas as curvas possíveis para encontrar ilhas paradisíacas no Atlântico. O diário dessa viagem está bem detalhado aqui no blog, por isso não vou me delongar com as belezas estonteantes do país. Na volta para casa, paramos em Salem. Baita experiência depois de ter lido The Crucible. Nesse mês tb fomos ver o computador pequeno que ia substituir o que deixei com o pai. Nossa ida mensal a um restaurante diferente foi na Atlantic Brewer.

a imagem escolhida pra agradecer o fantástico novembro de 2017 é a cartinha que mandei pelo pai com os presentes de natal pra galera no Brasil. Agradeço que os tenho, mesmo longe.

Dezembro 2017

Comprei minha primeira arte nos EUA. Agradeço a mulher contemplativa. Adorei. Participei da primeira feira de artesanato aqui e foi beeem legal. Fui para a cerimônia de cidadania do Jefferson em Yarmonth e comemoramos o aniversário dele no mesmo dia. Perdi um amigo daqui e ganhei um amigo na Alemanha. Que seja muito feliz. Agradeço, claro. Fomos na despedida do Dakota na casa Laurie e eu senti família lá. Natal foi na Ann. Também, acolhida de estar em casa.
Passei o ano novo de pijama, feliz, com marido e doga. Mas o troféu de agradecimento vai pras cenas estonteantes que a natureza proporcionou esse mês. Pena que fiz a regra de por uma foto por mês nesses agradecimentos...




E assim foi o ano. Intenso. Muito intenso. Só tenho a agradecer.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Passado que fantasmagora

Neologismos sempre foram a minha praia. Inclusive no inglês, andei "inventando" algumas palavras já. E o sonho/pesadelo que eu tive essa noite acabou de me ajudar a criar outra, já que ele ficou fantasmagorando o dia todo.

Um saco quando isso acontece. E fazia tempo que não acontecia.

Vem o passado que você viu de relance em uma foto. Nada demais no mundo dos acordados. Mas aí aquela foto ficou se remoendo no cérebro por uns, mais ou menos, deixa eu ver, três meses. Aí você pega essa foto de um menino lindo, agora adolescente, que você pegou no colo bebê e fez dormir quando nem os pais conseguiam e  junta com acontecimento desconfortável recente: tomar banho num banheiro misto, dividido por cortininhas. Só. Nada a ver, não é? Pois é, mas o cérebro não muito satisfeito ainda visita suas sombras mais profundas. Aquelas coisas que você sabe que você  fez e não quer lembrar.
Está feita a bosta. Você acorda do sonho, pela manhã, toda errada, com uma sensação de que foi pega fazendo algo errado, foi julgada, por quem você despreza e snte aquela raiva do passado te consumir e te fazer gritar furiosa. Sim, você acorda disso. Quem é que passa um dia bem acordando desse jeito, minha gente? E como contar milhares de vezes para o seu cérebro e restate do corpo tenso que aquilo não é realidade? Que é sonho!!!!
No fundo, todo sonho é produzido de alguma forma por nós. o que me entristece é que os elementos dessa cena absurda estavam todos dentro de mim. E boa parte é passado. O passado que insiste em fantasmagorar. É uma mistura do assombrar com o gorar mesmo, aquela expressão que os antigos usavam para o olho gordo, ou para energia negativa que alguém despeja em alguém.

Hoje o passado fantasmagorou meu dia. O alívio é que amanhã tem outro dia. Novinho em folha.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Aperto

Não teve um só dia desde então que deixei de pensar em você. O costume de falar todo dia deve ter determinado a condição de rotina. Nunca gostei de rotina mas nem sempre tenho a percepção de saber o que se tornou rotina na minha vida. Você era rotina. Uma rotina boa. Costumava te ver como minha ponte.

É óbvio que estou triste. Ninguém quer que as coisas aconteçam da forma que aconteceram. E acho ridículo a gente dizer que não foi intencional. A pessoa tem que ser muito fdp para pensar em fazer tudo isso de maneira intencional. Mas a pergunta que tenho me feito é: sério mesmo que você nunca pensou nesse desfecho? Sério mesmo que você achava que ia ficar tudo bem sem falar nada?
Há coisas que continuo sem entender. E fiz o mea culpa para tentar entender se sou esse monstro que quer tudo do seu jeito mesmo, que não ouve, que não aceita o contraditório. Falei com quem me conhece bem. Com quem conviveu comigo todo santo dia resolvendo pendengas diárias. E as respostas foram as mesmas: você fala o que pensa. Mas ouve e pondera. Falar o que se pensa não é aceito socialmente, as duas pessoas me disseram. E isso te faz uma ogra.

É isso. Aos poucos estou vendo que somos exatamente o oposto. Enquanto eu priorizo a verdade, antes das relações, você prioriza as relações antes da verdade. E entendo bem que no nosso mundo alguém muito franco não sobreviveria. Precisamos de maquiagem para manter uma linha civilizatória em que a gente não saia se matando... Falar o que se pensa é muito perigoso principalmente em dias como os nossos em que o mundo está dividido em times. Eu entendo que é preciso um pouco de verniz para sair por aí.

Mas nunca imaginei que precisaria desse verniz com os meus. O pai já falou uma vez que eu agrido ele. Não tenho prazer algum em agredir ninguém. Não acho que precisamos entrar em batalhas em cada discordância e tenho me afastado de várias assim. Mas o meu jeito ainda agride. E agride você também. Tanto que em vez de você dizer que estava se sentindo agredida com o "quero que tudo seja do meu jeito", você preferiu não contar mais seus problemas. Simples, mantemos uma relação cordial sem precisar tocar em assuntos de discordância. Você só esqueceu de me perguntar se eu queria uma relação assim. E a gente continuou então numa relação fingida, em que tudo é lindo, fofo, cor de rosa, todo mundo se entende e concorda... mas não é de verdade. E é aí que a coisa pegou para mim. Primeiro aí: eu não tive escolha. Eu achava que era verdadeiro. Mas as pessoas também escolhem o quanto vão se mostrar ou não e você, para não ser mais agredida pelo meu jeito de ser, achou melhor não contar mais nada. E resolveu pedir para pessoas ao meu redor também não contarem as coisas, porque, é óbvio, eu não ia gostar. Então a gente faz teatro. E em nome de sair por aí dizendo que a gente se dá bem, a gente mantém o teatro. Sem a minha anuência. Eu não concordei em fazer teatro.  Esse foi o primeiro machucado dessa história toda.

O segundo foi quando em uma situação especificamente legal, racional e financeira, você ocultou a verdade. Então, a coisa não era mais dentro do emocional, dos traumas das relações familiares. Foi para o âmbito legal. E essa ação me mostrou o quanto eu não consigo entender o que te move. Aliás, essa é a minha maior questão agora. Eu realmente não consigo explicar como isso foi acontecer. Ou se você sempre foi assim e eu que não quis ver. Você repete dizendo que não é orgulho, que não é medo, que não é irresponsabilidade, que não é má-fé. Só reações. Mas não diz afinal O QUE É.  Se não é nada disso, é o que? Não tenho essa resposta porque você nunca foi capaz de me dar. Às vezes, você ainda usa a sua religião - sobre a qual entendemos pouco - para explicar a sua posição. É karma, tenho que passar por isso, falaram que é assim mesmo, e assim vai. Mas não vejo lógica nem nesse comportamento. Porque disseram mais outros quilos de coisas que você tinha que fazer e não fez.
Eu fico aqui tentando explicar. Não consigo imaginar que seja covardia. Tudo me leva a crer que é um pavor de sair do que sempre se fez, do que é conhecido, das lógicas que são familiares para o desconhecido. E é claro que eu agrido. Porque eu fico gritando que tem vida fora disso tudo. Fico incomodando. Fico apontando que é só pular fora dessa bola decorativa e continuar respirando. Que ninguém vai morrer. Eu incomodo porque não consigo conceber que você seja cagona nesse nível. E quando falo isso, você reage com 20 pedras, dizendo que não é isso, não é isso, mas nunca diz O QUE É. Então não entendo. Só posso ficar fazendo assumpções. Porque não tenho a resposta exata e é capaz de que você nunca a dê. Primeiro porque talvez seja uma escolha sua não querer enxergar. Ixi, existe muita gente por aí que prefere a cegueira pra manter as coisas como estão e conhecemos muito bem essas histórias: mulheres traídas, pais com filhos adictos. Todo mundo sem querer ver Mas não precisa pensar só nesses estereótipos. No nosso dia a dia a gente escolhe todo santo dia não enxergar um monte de coisas. A parede que precisa ser pintada, a eterna procrastinação de coisas a serem feitas, enfim. Todo dia a gente fecha os olhos. E hoje fico pensando que eu fechei os olhos para você também. Eu não quis mais lidar com suas meias-verdades. Com as histórias inventadas ou aumentadas. Deixei passar para, de repente, ver que não conhecia mais quem estava na minha frente. Eu te flagrei várias vezes repetindo histórias que não aconteceram daquele jeito. E nunca levei a sério porque cada um tem um jeito diferente de contar suas versões. Suas amigas às vezes diziam isso: que você aumentava um pouco cada história. Eu sempre achei que era coisa da sua personalidade. Hoje vejo que você tem contado essas histórias e acreditado nelas. "Não falei nada porque eu ia dar um jeito." Oito meses de não falar nada e ser toda sorrisos, toda fofa, toda cotidiana, não querendo enfrentar o que estava na sua frente. Da onde, depois de 8 meses, é possível dar-se um jeito?? E que porra de jeito era esse? A única coisa que me fazia relevar essas tuas contações de histórias meio atravessadas no passado é que você tinha um posicionamento de cumprir com as suas obrigações. Esse caiu. Caiu por duas vezes e você se acha no direito de estar no direito. pede-se perdão e fica tudo bem. E se eu não perdôo, fazer o que? Por isso não sei mais em que terra você vive. Por um tempo eu pensei que era eu que estava enloquecendo, achando que estava exagerando. Fui buscar ajuda. E não foi de gente que só concorda. E não estou fora da realidade. É realmente chocante.

Algo quebrou aqui. Eu não tenho ideia se um dia vamos conseguir colar, recuperar, ajustar. Hoje, muito triste, eu só vejo que não consigo fingir que tudo vai ser bom e o cotidiano pode ser recuperado exatamente do jeito que era. Não vai ser. Esse acontecimento só serviu para eu avaliar que algumas coisas dentro de mim ainda não estavam arrumadas, como a situação dos emails, há mais de 20 anos. Eu nunca entendi como você poderia ser mais leal a outras pessoas do que a mim. E a questão é essa mesmo: você consegue. Conseguiu de novo. E sei porque. Eu agrido. Eu, por ser eu mesma, e não conseguir dizer "minha querida", "meu querido", mesmo pensando o contrário, eu agrido. Porque sou crua. Não tenho verniz, falo o que penso. Não é à toa que toda vez que eu te visitava seus amigos morriam de medo de mim. Você pintava para eles quem eu sou para você. Uma pessoa que agride, brava, um monstro. Eu nunca entendi o porque de construir esse personagem tão horrível. Hoje eu entendo que essa era eu para você. Sem nem ter intenção, você denunciava o tempo todo que eu não tinha o verniz. Que eu não conseguiria fazer o jogo das relações fofas porque eu falo o que penso. E falar o que se pensa sem brigar não existe para você. Então eu entendo o quanto era horrível conviver comigo.

Talvez por isso eu não consiga ver algum tipo de retorno em nossas relações. Mas para não ter que ficar explicando para as pessoas ou agindo como um bicho que sai quando o outro chega, "que fica de mal" eu consigo manter o mínimo de racionalidade (essa mesma que você tanto renega) para estar no mesmo ambiente ou ainda para cumprimentar e tratar de coisas necessárias. Assim como faço com ele. Até porque se tudo até agora foi teatro mesmo, a relação não vai ser muito diferente do que tínhamos. Filtra-se todo aquele efeito de cumplicidade e intimidade e fica-se com o que é real e restante: respeito e amor ao outro, mesmo sendo diferente. Sem fingir. Com ele, não finjo.

Eu não tenho raiva de você. Eu só não consigo entender seu jeito de ser. E já que vi que agrido somente sendo eu mesma, entendo como melhor estar longe. Isso não fez com que eu deixasse de te amar. E nesses dias senti um amor imenso por você. Queria deixar claro que esse silêncio não tem nada de intenção de te punir como aquelas brigas idiotas de orgulho, nas quais quem fala antes é o fraco. Acho ridículo isso. Sempre achei uma queda de braço em que todo mundo sai machucado. O silêncio agora tem outro propósito. O de cura. Eu preciso me curar porque senão vou continuar machucando. Imagina só, se normalmente eu já agrido, imagine machucada, sem entender muito os seus motivos? Por isso prefiro me manter distante.

A você eu continuo desejando e rezando pelo milagre. Que você entenda do que é capaz e se solte dessas amarras que te deixam cega para as oportunidades da vida. Que você tenha coragem de olhar para os piores defeitos que te amarram ao julgamento das outras pessoas, ao orgulho, à raiva, a questões relacionadas a status, ao que é superficial, e resolva enfrentar tudo isso, se reinventando. Que você descubra dentro de você a capacidade de fazer uma reviravolta e que você veja que isso vai doer menos do que essa mesmice em que você está mergulhada. Que você logo entenda que loucura mesmo é você esperar um resultado diferente fazendo exatamente as mesmas coisas (frase de reflexão de Facebook que é muito, muito prática). Que nasça um outro braço. Novinho. E que você possa me acenar com ele.

Eu aqui vou continuar refletindo sobre as minhas posições. Vou continuar avaliando se realmente tenho ouvido o suficiente. Se estou deixando de ver algo que está no meu nariz. Continuo no trabalho em relação à minha arrogância, que me atrapalha horrores. Vou continuar buscando respostas. Vou continuar lendo e pesquisando. E vou continuar acreditando que tudo que acontece tem um propósito muito maior para a gente.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Licença poética domingueira

Domingo sempre foi um dia de encontrar com as origens, de reequilibrar as forças, de olhar  com mais carinho pra aquela expressão do "mineirim": "doncosô, oncotô, proncovô". Nunca fui muito fã dessa coisa inercial de seguir o fluxo. Sempre fui de parar de ver qualé a direção. E domingos sempre foram ótimos para esse exercício. Davam uma sensação de chão. De poder fazer as coisas devagar.
Lembro de ter passado vários deles me meio aos livros escrevendo. Lembro de ter conseguido várias vezes ficar na janela ouvindo os pássaros. A velocidade dispensava a correria da semana.
Até que vim trabalhar com turismo. E todos os domingo viraram segundas, terças... E eu tinha que me concentrar pra saber exatamente que dia era já que estava passando direto nos finais de semana com o mesmo trabalho. Turismo não é para amadores. Nem para quem quer brincar. É para quem gosta mesmo.
Mas morar em uma ilha que tem negício de turismo sazonal tem suas vantagens. É uma loucura na primavera, verão, outono. Mas no inverno, como toda a natureza ao redor, a semana pode voltar a ser como antes. E o domingo pode ser, de novo, aquele dia de se sentir, de se refletir de se organizar a vida.
Hoje foi um desses. Acordei com um sonho muito real com um gato amarelo (seria o da Alice?), e água de chafariz e festa de princesas... Peguei a cã e fomos fazer acaminhada matinal, que tinha um céu azul, sol lindo e um frio de cortar a alma. Mas as chuvas passaram, secaram e a água que restou se tornou pequenos caminhos de gelo. Bons para se testar o equilíbrio. O inverno traz isso: um novo jeito de pisar e de se deslocar. Tem que ser com cuidado e devagar, como domingo deixa ser.
Em casa foi o momento das listas. Da organização pra semana fluir. E de música.
10000 Maniacs me lembrou de uma eu que descobria a liberdade de ser amada sem condições.

Alanis trouxe o momento do perceber que podia ser mais e ter mais.

Ben Harper com o Glory y Consequence trouxe a motivação para a semana que começa e para todos os desafios que se quer enfrentar. E a lembrança de um show em Florianópolis, o único em que os irmãos Canalli Bona estavam juntos.

E com o Yearning Morning, que lembra sempre uma manhã de domingo...

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Call to conscience - essay

Nivea Bona, mar,10th, 2017
Call to conscience: Pinocchio´s cricket

For some people, right or wrong is settled like rock. For others, right and wrong can be a big challenge to define. Morality can be different depending on the person, their background, and the decision that is being made. The first question is what is right and what is wrong, and from this question, others can follow.
Nowadays, with all the discussion that is developed on the internet, where everybody can show opinions and, in the same way, hide behind the computer, the conscious decisions of wrong or right have another weigh, heavier than before. But the problem is: where does “conscience” (the awareness of the rules) come from? And when is its role plays for better or for worse? Yes, there is a range, a gap, between all kinds of rights and wrongs.
First, something that needs to be understood is that conscience is shaped in each individual. It doesn’t come in a package from birth. The consciousness of doing right or wrong depends on a daily construction which happens little by little over time. First at home, with parents’ examples, then in society, school, and among some relationships. Telling someone what is right or wrong can be so weak and superficial sometimes... Right in which context? Wrong for whom? Right or wrong depend on the complexity of human beings needs, their culture, and social bounds. I had a philosophy professor that once said, after the class studied all the concepts: ethics are a way of surviving. Morality is a group of social values that drives people´s behavior. It’s a simple way to put this. And “conscience” is knowing all the values, it is being aware of them. It’s the “cricket” reminding everybody about their morals and values, like in Pinocchio’s story.
The complexity is revealed when different religions, cultures, and societies teach and form different morals. Let´s think about some African tribes that control girls´ lives from birth. Leaders decide that they are going to cut the clitoris of all girls when they are 11 years old. They believe this is the right thing to do because, in their culture, many women and men believe the woman can be easily overtaken by her body and desires. This is what their morality dictates, what their religious’ dogmas established. For us, in our culture, this is a cruel crime. We live in a culture where freedom is the greatest value, and which allow us to decide about our body, lives, jobs, places to live, what to buy, what to wear, and so on.
Still, in our western culture, this one which has freedom as a huge value, the truth plays a big role too. That means that lying is wrong in our society like it was wrong in Pinocchio´s story. But, I´ll ask: who has never lied? And how would our routine and lives could be with all the raw truth being told in every relationship? That is the range. Conscience plays a big role in our behavior, but to truly understand the other individual, we need to understand what is behind one’s moral values and, from that, try to make connections and maybe get closer.
A good way to call the conscience into action in political discussions, or in the use of the natural resources, or in the way we relate to the others every day is to use a big amount of empathy. Communication and empathy. When one can place him or herself in the other´s place, it’s easier to understand the point of view and the moral standards behind that behavior. From that knowledge, right and wrong can be clearer. That can be done if both sides can truly communicate, and this communication needs a sharp attention and a real listening. It is a big exercise of understanding the others position and trying to be in their place to get an idea of how conscience can work in guiding their behavior.
Without this calling to conscience and, more than that, a real way to understand one another and communicate, wars would happen every day. We did in the past and we still struggle as a society in those differences between moral values or right and wrong. Let´s think about Palestine, Syria and other conflicts. What is right and wrong? War is wrong. But we are studying and living in the country that promotes the numerous wars around the world. How does that happen? On the other hand, we can see groups everywhere in this same country calling for conscience. The same conscience we share in this occidental world. A Caucasian activist for racial rights, Jane Elliot, who is contemporary of Martin Luther King and still alive, decided to do a controversial experiment in her students’ class, inverting the racial segregation to blue eyed people. She wanted to prove that we learn to be racist. We learn to hate the different person. We learn how to behave and we learn what is right and wrong from the family, school and society. Nelson Mandela had the same position. He used to say that if mankind learns how to hate, it can learn how to love.   
History goes in loops, circles, and there are signs that we are going through another loop that shows all the facts together in a prelude to another period of war (Brexit e.g.). This is the moment that needs this kind of position: being empathetic[1]. When we need to call to conscience. And to do the exercise of calling to conscience today we need to make some people around us to do the exercise of being in the others’ place. We need to communicate, to feel the others´ life and problems and inviting who wants, of doing the same exercise. Maybe doing that we can stop this tendency.
One example of this exercise just happened last week in Brazil. We have been noticing in the last five years an increase of fascist behavior in our society (in United States with Trump´s speeches and ideas). Some people believe in the opinions and ideologic positions that police forces can solve our social problems using violence and fear. This belief drives people to root for the criminals being killed. They have the expression: “a good criminal is a dead criminal”. On December, 2016 there was a horrible bloodbath in one prison. Prisoners killed 56 others with a gang’s motivation. The public opinion was divided, of course. Some people were celebrating that we had now 56 less criminals. But others were trying to awake consciences using empathy to do that. One of the comments in a social media was:
“I saw my brother-in-law, that is divorced from my sister, saying that those criminals should all be killed. He said that was a good end to them. I just reminded him that he is lucky that my sister didn´t denounce him for not paying the kids´ pension. Because he could be one of them. He blocked me. I don´t know why, if I was just saying…”
            We learned what is right and wrong in our society. And even learning, sometimes we forget the rules that need to drive our life. Calling on our conscience can help all of us to remember.



[1] This is an article that can add some information to this subject. https://medium.com/@theonlytoby/history-tells-us-what-will-happen-next-with-brexit-trump-a3fefd154714#.r06t18blt